Crónica do Vale I

… a de me aperceber que os sonhos realmente se realizam e eu tenho um terreno!

CdV I

Yuuuhuuuu!

*  respirar *

Ok… Boa! 😀

* breve momento de pânico*

E agora? :S

Convenhamos! Eu não sou uma mulher do campo, não cresci no campo e a minha família nunca se dedicou a actividades do campo. As minhas avós já na década de 60 trabalhavam em escritórios. Que um dos meus avôs tivesse uma pequena horta com couves e algumas galinhas e coelhos não fez com que eu fosse privilegiada com aqueles preciosos conhecimentos ancestrais sobre cuidar da terra.

Tampouco a minha família está ligada à construção civil. Exceptuando algumas aventuras da minha mãe no mundo da bricolagem e da restauração de móveis, ou as cidades que eu e o meu primo Luís construíamos com livros para serem habitadas por barbies, playmobis, barriguitas e o eventual peluche.

Mas há em mim um desejo profundo de regressar às raízes, à Terra. É algo que sinto a nível celular e que me fez embarcar nesta aventura de cuidar duma Terra e viver de forma sustentável. Sinto que este é o meu caminho, que esta é a minha maneira de honrar a Grande Mãe, de proteger e cuidar a Terra, de a celebrar.

E em mim existe a certeza que são estas as experiências e vivências que quero proporcionar ao meu filho. É o meu desejo educá-lo para ser mais consciente, empático, responsável e sensível a todas estas grandes mudanças que presenciamos no Mundo e a compreender que todos temos um papel a desempenhar.

Voltando!

Ok, tenho um terreno! Eu sou boa com listas! O que preciso para já? Vejamos:

  • duma casa
  • água
  • eletricidade
  • duma horta
  • árvores de fruto
  • algumas ferramentas
  • uma boa dose de entusiasmo
  • uma boa dose de coragem
  • outra boa dose de meditação (porque tudo isto traz sempre uma boa dose de frustração)

Perfeito! Lista feita!

Pois…

A dificuldade é que cada um desses itens se subdivide em milhentas questões e milhentas outras decisões: Que casa?  Pré-fabricada, modular, de madeira, taipa? No chão, móvel ou em estacas? Que materiais? Se madeira, que tipo de paredes? Que espessura? Que tipo de isolamento? Qual a distribuição mais eficiente a nível energético? Área? Para compactar o terreno, é melhor brita ou tout-venant? Para começar, que raio é tout-venant?!? Qual o mais sustentável que permita uma boa drenagem do solo? Furo, poço ou barragem? Qual o melhor para este tipo de terreno? Valores? Ah, ok! Alternativas? Depósitos? Boa! Como fazer a ligação da água desde um depósito? Que material necessito para recolher a água da chuva? Como aproveitar as águas cinzentas? Primeiro, como ligar a saída das águas da casa para depois poder aproveitá-las?

Já estão cansados? 🙂 Vou parar então!

Como disse: EM.CADA.UM.DOS.ITENS!

Muita pesquisa, muitas conversas com quem sabe mais, … e uma grande dose de intuição! E na ausência desta – porque em momentos de stress nem sempre temos essa capacidade de escuta -, fazer figas e seguir em frente!

Porque eu… não sou uma mulher do campo.

Sou uma Mulher a redescobrir a Terra, ganhando Raíz!

 

*Foto: fazendo cimento para fortalecer os blocos que iriam suster a estrutura da casa móvel – Novembro 2016.

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