Crónica do Vale II

… a do género!

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Não sou uma pessoa particularmente dramática. Mas tenho definitivamente os meus momentos! Já a minha mãe dizia que era boa para ir para o teatro. E, anos mais tarde, depois de um curso de teatro, dizia-se por aí que eu até me desenrascava. Talvez seja um pouco dramática afinal…

Voltando ao assunto!

A questão do género não é, para mim, uma questão dramática! É uma questão que me desafia a não sair do meu centro. *suspiro* Ok, ok, é uma questão que me irrita profundamente!

“Ah, você é a senhora que quer comprar aquele terreno além?”

“Sou sim.”

“É um terreno grande! Vai lá viver?”

“Em princípio, sim.”

“É grande! Vai dar muito trabalho. Mas tem o seu marido, não é?”

(Suspiro interno. Vá, esta é velha e já a ouviste algumas vezes. Sê compassiva!)

“Não. Sou apenas eu e o meu filho.”

“Ah! E como vai fazer com aquele terreno todo?”

(Inspira. Expira. De verdade que não vale a pena chateares-te. Vá, sê compassiva! Lembra-te que vivemos ainda na sociedade que vivemos, ainda que em mudança, e que este senhor não conhece a tua identidade secreta de Super-Mulher!)

“Como fazem os outros: limpar, plantar e cuidar!”

“Sozinha?!?”

(Não respiro coisa nenhuma! Ok. Inspira. Expira. Está tudo bem!)

“Com o meu filho. E o meu cão. E o meu gato.”

“Ah!”

Meus senhores, eu sei usar uma enxada e uma pá e uma picareta! Eu li num livro!

Estou a brincar!

Mais ou menos…

Ahahah! Estou a brincar!

Pois…

O tema é que, por ser mulher, são levantadas mais questões sobre a minha competência em lides agrárias do que num homem. E posso-vos assegurar que a maior parte dos homens sabe tanto quanto eu, porque, convenhamos, nem todos os homens cresceram e/ou vivem em meios rurais.

Da mesma forma, aquando da construção da minha casa, tive que ser mais ríspida para que as coisas fossem feitas no tempo previsto e com a qualidade esperada, pois a minha autoridade era constantemente posta em causa. Algo que senti que não aconteceria a um homem, mesmo um que detivesse uma ínfima parte do conhecimento que eu tenho. Em quatro dias tive que os chamar de volta 3 vezes para corrigir as suas correções relativas a pequenas falhas na construção e instalações. Atenção! Imperfeições e aperfeiçoamentos, neste tipo de construção, são esperados. Mas esconder um buraco no chão flutuante (que tinha sido acabado de ser substituído!) com o meu próprio móvel… De verdade que esperavam que eu não notasse!?!? Respeitem, por favor, o cliché, pois eu, como boa dona de casa, varro sempre atrás dos móveis! … (Não é verdade! Há uns que são muito pesados… e às vezes, é porque não me apetece, e então?)

A verdade é que uma mulher adentrar-se em áreas de domínio maioritariamente masculino levanta algumas sobrancelhas, perturba alguns másculos egos, origina piadas machistas e/ou palmadinhas condescendentes nas costas. Mas sabem que mais? Gera também mudanças de paradigma! E é nisso que a minha geração vem contribuir! Porque os que vêm a seguir têm também a sua missão!

E tudo isto, estou a aprender, requer uma boa dose de energia, outra de assertividade, outra de humor e outra, muito grande, de Amor! ❤

Crónica do Vale I

… a de me aperceber que os sonhos realmente se realizam e eu tenho um terreno!

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Yuuuhuuuu!

*  respirar *

Ok… Boa! 😀

* breve momento de pânico*

E agora? :S

Convenhamos! Eu não sou uma mulher do campo, não cresci no campo e a minha família nunca se dedicou a actividades do campo. As minhas avós já na década de 60 trabalhavam em escritórios. Que um dos meus avôs tivesse uma pequena horta com couves e algumas galinhas e coelhos não fez com que eu fosse privilegiada com aqueles preciosos conhecimentos ancestrais sobre cuidar da terra.

Tampouco a minha família está ligada à construção civil. Exceptuando algumas aventuras da minha mãe no mundo da bricolagem e da restauração de móveis, ou as cidades que eu e o meu primo Luís construíamos com livros para serem habitadas por barbies, playmobis, barriguitas e o eventual peluche.

Mas há em mim um desejo profundo de regressar às raízes, à Terra. É algo que sinto a nível celular e que me fez embarcar nesta aventura de cuidar duma Terra e viver de forma sustentável. Sinto que este é o meu caminho, que esta é a minha maneira de honrar a Grande Mãe, de proteger e cuidar a Terra, de a celebrar.

E em mim existe a certeza que são estas as experiências e vivências que quero proporcionar ao meu filho. É o meu desejo educá-lo para ser mais consciente, empático, responsável e sensível a todas estas grandes mudanças que presenciamos no Mundo e a compreender que todos temos um papel a desempenhar.

Voltando!

Ok, tenho um terreno! Eu sou boa com listas! O que preciso para já? Vejamos:

  • duma casa
  • água
  • eletricidade
  • duma horta
  • árvores de fruto
  • algumas ferramentas
  • uma boa dose de entusiasmo
  • uma boa dose de coragem
  • outra boa dose de meditação (porque tudo isto traz sempre uma boa dose de frustração)

Perfeito! Lista feita!

Pois…

A dificuldade é que cada um desses itens se subdivide em milhentas questões e milhentas outras decisões: Que casa?  Pré-fabricada, modular, de madeira, taipa? No chão, móvel ou em estacas? Que materiais? Se madeira, que tipo de paredes? Que espessura? Que tipo de isolamento? Qual a distribuição mais eficiente a nível energético? Área? Para compactar o terreno, é melhor brita ou tout-venant? Para começar, que raio é tout-venant?!? Qual o mais sustentável que permita uma boa drenagem do solo? Furo, poço ou barragem? Qual o melhor para este tipo de terreno? Valores? Ah, ok! Alternativas? Depósitos? Boa! Como fazer a ligação da água desde um depósito? Que material necessito para recolher a água da chuva? Como aproveitar as águas cinzentas? Primeiro, como ligar a saída das águas da casa para depois poder aproveitá-las?

Já estão cansados? 🙂 Vou parar então!

Como disse: EM.CADA.UM.DOS.ITENS!

Muita pesquisa, muitas conversas com quem sabe mais, … e uma grande dose de intuição! E na ausência desta – porque em momentos de stress nem sempre temos essa capacidade de escuta -, fazer figas e seguir em frente!

Porque eu… não sou uma mulher do campo.

Sou uma Mulher a redescobrir a Terra, ganhando Raíz!

 

*Foto: fazendo cimento para fortalecer os blocos que iriam suster a estrutura da casa móvel – Novembro 2016.

Na Terra dos 8 ventos

Senti o impulso nesta incrível e poderosa Lua Nova para retomar o blog. E aqui estou! 🙂 Novos começos! Com nova imagem e novo nome.  Porquê?

Porque muitíssimas coisas aconteceram nos últimos anos e a vida não parou de ser vivida nem por um segundo (ainda que por vezes tivesse dado cá um jeito ter um botão de pause e rewind!); porque eu cresci, o Ki cresceu, a nossa família cresceu (ainda que decresceu em número de membros felinos); porque a fase cor do arco-íris passou e, ainda que todas as suas cores permeiem a minha existência, esta agora é mais em cores terra.

Que andámos nós então a fazer nos últimos anos?

:: dissemos adeus a um Ser muito especial, cuja presença, e agora a sua ausência, marcará sempre a nossa vida. Mas porque acredito que tudo acontece como tem que acontecer para que os nossos destinos individuais se cumpram, aprendemos a celebrar a sua vida, a sua morte e aprendemos a largar a sua alma para que esta siga para a sua nova vida. Hmmm, estamos a aprender! Foi duro! Agora é menos duro! Mas temo-lo feito em família e, pouco a pouco, a cura acontece!

:: parti uma perna. Aconteceu no pior momento possível e, precisamente por isso, foi o melhor que podia ter acontecido. Mais uma oportunidade de trabalhar a paciência, o foco, a rendição, a resiliência e aceitação (nomeadamente de ajuda! Este síndrome de Super-Mulher!…). Uma fase de (re)descoberta das minhas motivações, bloqueios e desejos mais profundos. Bendita perna partida! 🙂

:: comprámos um terreno e construímos uma casa. Ah, pois é! Não andei propriamente ociosa, ahahah. E neste processo todo (on going ainda, pois!) exclamei diariamente (várias vezes ao dia, confesso) “Onde raio estava eu com a cabeça?!?”. A resposta a essa pergunta lembro-me de ser sempre vaga (ou a minha mente estava em modo processamento acelerado e não registou. Hmmm, agora que penso nisso, a verdade é que tenho grandes brancas durante esse período) … mas era algo como: estar mais perto da natureza, ter animais na quinta, plantar os nossos vegetais, cuidar da terra, ser autónomo e sustentável… Sim, creio que era essa a ideia original! *pausa* Onde raio estava eu com a cabeça?!?

Pois é!

Assim, este blog será agora também o espaço para partilhar as nossas aventuras  a cuidar da Terra, celebrando-a a cada momento!

Sejam todos bem-vindos! ❤

Bebés na barriga

Olha, mamã! Um bebé na barriga! – diz-me o Ki, empolgado.

Que lindo, meu amor! – digo-lhe, num misto de maravilha, surpresa e desconfiança.

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Olha! Agora dois bebés na barriga! – diz-me.

Pois é! É mesmo! – respondo-lhe, agora com pura incredulidade.

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Estes pequenos Seres!… Pura maravilha!

Onde irão buscar estas coisas, verdade? Como se eu andasse a deixar os meus livros de anatomia ou os livros do curso de doulas por aí espalhados por casa!

Com sabor a férias…

Porque a visita a uns queridos amigos também são férias! Especialmente se há mar ao pé! Eis o que não faltou:

:: A redescoberta da praia! Passaram cerca de 6 meses desde que nos mudámos do mar para a planície, e… sentimos a falta do mar!

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:: Passeios à beira-mar!

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:: Passeios por terra!

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:: Visitas a lindos cavalos e a um curioso burro!

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:: Tomates! Viva o Verão e bruschettas de tomate! Estas estavam preparadinhas para ir ao forno!

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:: Brincadeiras no mar!

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:: Gelados (…duvidosos…) ao serão na esplanada!

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:: Brincadeiras no rio!

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:: Momentos relaxantes na nossa rede! Especialmente esta mamã aqui!

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:: Bons petiscos! Neste caso, hummus com muita salsa!

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:: Brincadeiras no tanque duma amiga!

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:: Muita paz e muito amor!

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***

Estas têm sido as nossas férias. Como têm sido as vossas?

A poça

Lembram-se de vos falar na dita poça de água na qual o Ki passa quase todo o seu tempo a brincar?

Nestes cerca de 4 meses que aqui vivemos, esta poça faz as delícias do pequenote. Fazemos um apanhado?

Venham daí!

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E assim é como ele me chega a casa:

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São ou não são as crianças obcecadas por poças de água? É ou não é esta mamã obcecada em tirar fotos enquanto esta criatura pequena curte com tremendo prazer esta dita poça de água? É que ele curte mesmo!

Muita roupa suja? Sim, é verdade! Devia ele beber aquela água? Não, provavelmente não devia!

Mas ele curte tanto!